terça-feira, 28 de abril de 2015

INTRODUÇÃO AOS ESTUDOS HISTÓRICOS



 
Neste primeiro ensaio abordarei uma breve introdução aos estudos históricos, bem como um panorama geral da História da humanidade. Em momento tempestivo publicarei novos ensaios com riqueza de detalhes aos temas aqui apresentados.

O conceito etimológico da palavra história advém do vocábulo grego História, significa “conhecimento por meio de uma indagação”, deriva da Histor: Sábio ou conhecedor.

Partindo dessa conclusão etimológica podemos conceituar a história como uma ciência que estuda os fatos relativos à humanidade ao longo tempo, se baseando na análise crítica de testemunhos concretos e verídicos. Esse conhecimento é construído mediante uma indagação.

É necessário também entendermos o que é historiografia, pois é com ela que tudo que sabemos e até a divisão temporal que falarei a seguir nos foi revelada. Historiografia em seu conceito mais simples é a produção do conhecimento histórico.

Entendido isso, vamos relacionar os fatos mais importantes de cada período adotado pela historiografia tradicional, cabe salientar que essa divisão advém de uma corrente positivista, existem outras correntes que não dividem a História desta forma. A historiografia tradicional classifica a História em alguns períodos que destacarei, é necessário a compreensão desses períodos e os fatos mais importantes ocorridos nos mesmos para que possamos compreender a história, mesmo que de uma forma superficial e com isso ficaremos familiarizados com a linha temporal que fomos condicionados pelo produtores do conhecimento histórico. Lembrando que a história propriamente dita é a posteriori da pré-história, levando em consideração que o marco para o fim de um e começo da outra é o surgimento da escrita na Mesopotâmia.

A história se divide em:

PRÉ-HISTÓRIA

IDADE ANTIGA

IDADE MEDIEVAL

IDADE MODERNA

IDADE CONTEMPORÂNEA


PRÉ-HISTÓRIA (ATÉ 4.000 a.C)

PALEOLÍTICO, NEOLÍTICO E IDADE DOS METAIS.

INÍCIO DA HISTÓRIA (4.000 a.C até os dias atuais)

IDADE ANTIGA (4.000 a.C à 476)

Grandes civilizações: Kush, Egito, Fenícios, Mesopotâmicos, Hebreus, Persas, Cretenses, Gregos, Romanos e etc.

Em 395 d.C ocorreu a divisão do Império Romano em Império Romano do Ocidente e Império Romano do Oriente.

A idade antiga termina quando ocorre a queda do império romano do ocidente, a partir de, inicia-se a idade medieval.

IDADE MÉDIA (476 à 1453)

Período de grande influência da igreja Católica, esse período termina com a queda do império Romano do Oriente que ocorreu em 1453, conquista da Constantinopla pelos Turcos, a partir de, inicia-se a idade moderna .

IDADE MODERNA (1453 à 1789)

Grandes navegações, capitalismo, crescimento da burguesia, absolutismo real, estados nacionais, revolução industrial.

A idade moderna termina com a Revolução Francesa em 1789 (A revolução termina em 1799), a partir de, inicia-se a idade Contemporânea.

IDADE CONTEMPORÂNEA (1789 aos dias atuais)

As duas grandes GUERRAS, Nazismo, Fascismo, Revolução Russa (Implantação das ideias de Karl Marx), Getulismo, Bombas Atômicas, Guerra Fria, Queda do muro de Berlim.

Entendido isso, vamos falar do calendário, pois todo historiador deve ter uma noção do contexto e do surgimento dos calendários que somos condicionados a adotar, mesmo que o termo tempo é relativo, haja vista a não existência do mesmo, só existe a partir do momento que adotamos parâmetros e com ele a noção irreal do tempo passa a ser real em uma realidade subjetiva e não existente.

O calendário utilizado pela maioria das pessoas do mundo começa com o nascimento de Cristo.

Ano 1 = nascimento de Cristo

a.C = Antes de Cristo

d.C = Depois de Cristo

Devemos lembrar que os anos contados antes do nascimento de cristo são feitos de forma decrescente, após devem ser contados em ordem crescente.

Diante do fato da História trabalhar com longos períodos de tempo, devemos dividá-la em grandes divisões :

1 ano = 12 meses

1 década = 10 anos

1 século = 100 anos

Existem vários calendários para estudarmos conforme relatarei a seguir:

Calendário Judaico
Movimento Lunar, diferente do gregoriano.

Calendário Muçulmano

Movimento no ano Lunar;

Ano 1 baseado na data de Hégira, a fuga de Maomé de Meca para Medina, em 16 de Julho de 622.

Calendário Chinês

Surge com o terceiro herói cultural, Huang-ti, introduzido em 2637 a.C, baseado nas fases da lua e depois no ano lunissolar de 12 meses.

Calendário Cristão

Baseado no antigo calendário Romano, que era lunar;

Calendário Juliano foi introduzido e vigorou por 1600 anos;

Concílio de Nicéia;

Papa gregório XIII, em 1582 durante seu papado fez uma reforma no calendário, no qual passou a chamar calendário gregoriano

Essas modificações foram adotadas imediatamente nos países católicos. Esse é o calendário usado pela maioria dos países atualmente.

FONTES HISTÓRICAS

Fonte histórica é tudo aquilo que ajuda o historiador reconstituir os acontecimentos e formas de vida do passado. As fontes podem ser materiais e imateriais, diretas e indiretas, essas últimas estão condicionadas a cultura material, por exemplo, literárias, públicas, administrativas.

Materiais: São vestígios de civilizações. Exemplos: monumentos, utensílios, vestígios arqueológicos etc.

Imaterial: São vestígios que sobrevivem na sociedade, por exemplo: tradições, costumes, lendas, ritos e folclore.

FALSIFICAÇÕES E A BUSCA DA FONTE

Em tudo na vida ocorrem falsificações, a marca de uma roupa, a constante pirataria que com o advento da tecnologia passou a ser algo natural no dia a dia do homem contemporâneo, diante disso, se ocorrem falsificação nessas áreas tão simplórias de nossas vidas imagine se tratando de fontes históricas valiosas.

As falsificações afetam e podem até mudar o curso da história já consumada, ela também pode servir para atender aos interesses de uma determinada classe dominante, por isso devemos verificar mediante dois tipos de crítica histórica.

Antes de considerarmos dois tipos de crítica, precisamos entender o que é a interpretação crítica das fontes e para que serve.

A interpretação critica serve para assegurar a autenticidade e a veracidade dos documentos.

Crítica externa: Investiga e procura documentos históricos mediante uma metodologia complexa, onde devemos fazer algumas indagações à fonte histórica:

Por exemplo:

Levantar dados quando a fonte, escrita ou não, foi produzida, se a mesma chegou em seu estado original, enfim, uma série de perguntas externas devemos fazer sob o aspecto crítico externo.

Crítica interna: Examinar a competência do documento. Sua autenticidade e veracidade. Usa-se Hermenêutica que é a arte de interpretar, conceito puramente filosófico.

A HISTÓRIA COMO CIÊNCIA

Existem várias objeções para não considerarem a história como ciência, e porque existem essas objeções:

1º Por não haver observação direta do fato histórico;

2º Conhecimento Subjetivo;

3º Não tem experimentação.

Partindo desses pressupostos, provaremos que a história é uma ciência sim, então vamos entender os motivos que devemos considerar a mesma como tal.

1º Apesar do fato histórico não ser observável, nós podemos reconstruir o fato a partir dos seus traços presentes, uso da crítica histórica.

2º Não escapamos da subjetividade. A subjetividade é um momento na conquista da objetividade dando a história sentimento de responsabilidade.

3º A síntese histórica faz uma relação de fatos entre si para entendermos as causas que geraram aquele efeito de desencadeamento do fato histórico. Não é uma experimentação exata, mas é um tipo de experimentação que liga os fatos entendendo as causas dos efeitos gerados.

DISCIPLINAS AUXILIARES DA HISTÓRIA

Os historiadores buscaram disciplinas auxiliares para combater a criação e modificação de documentos que evidenciasse determinado fato histórico e ocultasse outro ou criam-se evidências para afirmar uma ideia. Partindo desses pressupostos, os historiadores recorreram as diversas disciplinas auxiliares para verificar autenticidade ou falsidade.

Segue algumas disciplinas:

Diplomática, Paleografia, Epigrafia, Sigilografia, Heráldica, Genealogia, Numismática, Cronologia, Bibliografia, Cartografia, Filologia.

REGRA PARA DESCOBRIR SÉCULOS E SEUS RESPECTIVOS ANOS
Século I começa no ano 1 e termina no ano 100. Tendo como base e fixado na mente esse começo, entenderemos como calcular os demais séculos.

Exemplos:

Século I – 1 – 100

Século II – 101 à 200

Agora vamos fazer ao contrário

Qual século pertence o ano 253?

2 + 1 = 3 – Século III

Regra:

Toda a sequencia de 100 anos que inicia-se com o ano em que o último número é diferente de ZERO soma-se 1 ao primeiro número, caso o número termine com ZERO é só repetir o primeiro número resultando no século, por exemplo:

Qual século pertence o ano 300?

Século III (Repetir o número 3), agora se fosse 301, somaria ao 3 o número 1, LOGO seria século IV.

Qual a sequência que pertence ao século XIX?

Tendo como base o ano 1 e o conceito de que toda sequência do período de 100 anos começa com um número diferente de zero e termina com zero, iremos apenas subtrair 1 do número 19 que representa o século, tendo como resultado 18, se todo século começa com um número diferente de ZERO, logo essa sequencia secular começará no ano de 1801 à 1900, toda sequencia de séculos termina com ZERO.

Sei que existem pessoas que possuem métodos mais fáceis, eu uso esse, mas na maioria dos casos faço de forma mental, este último acho ainda mais fácil do que fazer as contas manuais.

Como calcular quantidade de anos que se passaram levando em consideração a divisão a.C e d.C

Estudo de caso:

Uma pessoa nasceu em 10 a.C e morreu em 50 d.C qual a idade que essa pessoa morreu?

50 + 10 = 60 anos

(Sempre que os anos se mesclarem entre o período antes de Cristo e o depois de Cristo soma-se as datas.)

Uma pessoa nasceu em 100 a.C e morreu em 10 a.C qual a idade que essa pessoa morreu?

100 – 10 = 90 anos.

Uma pessoa nasceu no ano 10 d.C e morreu em 90 d.C, com qual idade essa pessoa morreu?

90 – 10 = 80 anos.

(Sempre que os parâmetros serem dentro do mesmo período, ou seja, tudo antes de Cristo ou tudo depois de Cristo subtrai-se as datas.



Referências Bibliográficas



LE Goff.  História e Memória. Campinas: Unicamp, 2003.
BURKE, Peter. A escola dos Annalles 1929-1989 a revolução francesa da historiografia. S.P.: UNESP, 1991.
WARRINGTON, Marnie-Hughes. 50 grandes pensadores da História.  São Paulo: Paz e Terra, 2000.

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